Planear sem engessar – apontamentos soltos de uma sala de aula
Não sei se acontece a todos, mas no início do ano letivo fico sempre com sensação de estar a alinhar peças num tabuleiro. Há tanto que queremos fazer, e depois a realidade da sala de aula troca-nos as voltas. Ainda por cima, com a pressão dos programas, das metas, das avaliações. É fácil perder o fio à meada. Foi ao ler o texto da Maria Cândida Proença, no âmbito do seminário, que “despertei”: planear é importante, claro que sim, mas não pode ser uma prisão. Tem de haver espaço para “respirar”. Por exemplo, este ano, ao trabalhar com uma turma do 6.º ano, tentei organizar o tema da crise de 1383-85 de uma forma mais viva. Em vez de explicar logo tudo, como era habitual, levei um excerto de um diálogo imaginado entre um partidário de D. João e outro de D. Beatriz. Assim que acabei de ler, um aluno perguntou: “Então e se tivesse ganho a Beatriz, nós éramos espanhóis?” — e pronto, a aula ganhou outra vida. Escrevi no quadro “E se?” e fomos por aí. Não demos pelo tempo passar. A verd...