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Planear sem engessar – apontamentos soltos de uma sala de aula

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Não sei se acontece a todos, mas no início do ano letivo fico sempre com sensação de estar a alinhar peças num tabuleiro. Há tanto que queremos fazer, e depois a realidade da sala de aula troca-nos as voltas. Ainda por cima, com a pressão dos programas, das metas, das avaliações. É fácil perder o fio à meada. Foi ao ler o texto da Maria Cândida Proença, no âmbito do seminário, que “despertei”: planear é importante, claro que sim, mas não pode ser uma prisão. Tem de haver espaço para “respirar”. Por exemplo, este ano, ao trabalhar com uma turma do 6.º ano, tentei organizar o tema da crise de 1383-85 de uma forma mais viva. Em vez de explicar logo tudo, como era habitual, levei um excerto de um diálogo imaginado entre um partidário de D. João e outro de D. Beatriz. Assim que acabei de ler, um aluno perguntou: “Então e se tivesse ganho a Beatriz, nós éramos espanhóis?” — e pronto, a aula ganhou outra vida. Escrevi no quadro “E se?” e fomos por aí. Não demos pelo tempo passar. A verd...

Pensar a avaliação a partir da prática — uma experiência em HGP

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Não sei se é por já ter dado tantas vezes o mesmo tema ou se é mesmo do tempo, mas tenho sentido que as aulas de História, quando damos os Descobrimentos, correm o risco de ficar meio... mecânicas. Há umas semanas, decidi não seguir o manual à risca. Em vez disso, pedi aos alunos que fingissem ser marinheiros portugueses a preparar-se para uma viagem perigosa. Foi meio improvisado, confesso. Durante a atividade, alguns alunos surpreenderam-me. Uns lembraram-se de falar do medo do mar desconhecido, outros dos monstros que os mapas da época representavam. Aquilo que parecia uma brincadeira acabou por me mostrar mais sobre o que tinham percebido do que qualquer teste de escolha múltipla. Foi depois disto que me lembrei de um texto que li para o seminário, da Maria Cândida Proença. Fala muito sobre a diferença entre avaliação e classificação. E confesso que me caiu a ficha: passo tanto tempo a preparar testes e fichas, e às vezes esqueço-me que avaliar não é só isso . Comecei, aos pouco...

“A imagem como janela: quando a arte ensina mais do que o manual” (Como um olhar renovado sobre as obras de arte transformou a minha aula de HGP)

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A leitura dos excertos do Guia de História da Arte acabou por ser, para mim, um convite para repensar o modo como apresento as imagens aos meus alunos de HGP, onde muitas vezes a arte serve como janela para o passado. Este documento levou-me a refletir acerca dos “como” e “porque” de utilizarmos as obras de arte. Desconhecia a distinção entre os quatro métodos principais: o formalista, o sociológico, o iconográfico e o estruturalista. Perceber esta distinção fez-me concluir que, quase sempre, a minha abordagem foi superficial. Em vez de permitir que os alunos encarem a arte como um documento histórico, como um portal para as sociedades que a produziram acabava por utilizá-la apenas como ilustração de conteúdos. Senti-me desconfortável por não ter sabido dar mais aos alunos. Experimentei/experimentamos a mudança numa aula acerca do Renascimento. Antigamente apresentava uma pintura muito conhecida de Rafael para ilustrar “a nova visão do homem e do mundo”. Porém, desta vez, fiz difer...

Olhos que Pensam: O Poder de Ler Imagens na Sala de Aula

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Durante muito tempo, na minha prática docente utilizei as imagens como meros suportes ilustrativos, por exemplo um quadro representando o Tratado de Zamora ou uma fotografia de uma indústria do século XIX. Assumia então que os alunos compreenderiam a mensagem por mera exposição da imagem. Algumas vezes ouvia comentário “isso é só uma imagem, professor” ou “uma fotografia antiga”. Para eles, a leitura visual parecia-lhes intuitiva e desnecessária de explicação. A recente leitura do texto de Martine Joly, Introdução à Análise da Imagem, acabou por ser, para mim, um ponto de viragem no que respeita à minha prática pedagógica. Para Joly, a imagem não é um código universal automaticamente decifrável, como em temos eu pensei. Aprendi com o autor que a leitura da imagem tem uma carga cultural tão grande como a leitura de um texto escrito, exigindo reflexão, contextualização e análise crítica. Decidi recentemente testar uma nova abordagem, alinhada com o autor. Durante uma aula acerca da e...

Do Ecrã à Aprendizagem: Como o Vídeo Ganha Vida nas Aulas de Português e História e Geografia de Portugal

No decurso da minha prática docente, tenho procurado recorrer a metodologias diferentes do ensino expositivo tradicional, com o objetivo de aproximar do abjeto do nosso estudo. Neste contexto, o artigo A Pedagogical Model to Deconstruct Videos in Virtual Learning Environments, de Moreira e Nejmeddine, faz-me refletir profundamente acerca da forma como uso o vídeo em contexto educativo. Não é segredo que a utilização do vídeo pode ter um potencial enorme para a educação, mas exige planeamento e conhecimento didático, o que reconheço não ter sido sempre presente na minha prática docente. Assumo que já recorri ao vídeo como estratégia de recurso em ocasiões em que o tempo faltava ou queria apenas chamar o interesse da turma para um tema em particular. Depois da leitura do artigo, a minha abordagem mudou. Nas últimas aulas do 6º ano e na sequência do estudo dos Descobrimentos Portugueses decidi aplicar alguns princípios do MPDV. Selecionei um excerto do documentário “A Grande Aventura ...

História em Rede: Como a Web 2.0 pode transformar as aulas de História e Geografia de Portugal

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O artigo de que hoje sugiro a leitura revelou-se importante na minha prática letiva na medida em que destaca os desafios e as potencialidades associados à integração das ferramentas da Web 2.0 num modelo de educação aberto e colaborativo. Como docente, inspiro a minha prática letiva neste artigo na medida em que procuro caminhar no desenvolvimento de competências digitais e na valorização das aprendizagens em rede. Em linha com o que defendem os autores, também eu julgo que os professores devem deixar de ser menos transmissores de conhecimento para se transformarem em mediadores e facilitadores da construção da sapiência. Na disciplina de História e Geografia de Portugal, tento efetivar a transição, com recurso a ferramentas digitais que envolvam os alunos ativamente no processo a que gosto de chamar ensino-aprendizagem. Numa turma do 5º ano quando abordamos o tema “A formação do território nacional” já utilizei o Padlet enquanto mural interativo que permitiu aos alunos partilhar...

Aprender História com Autonomia: Quando o Virtual Transforma a Sala de Aula

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Apresento hoje uma reflexão acerca do estudo “O B-learning e a perceção de competências de aprendizagem em ambientes virtuais no ensino da História” (Costa & Moreira, 2013). Este artigo, que também analisei no âmbito do seminário do Curso de Profissionalização em Serviço, apresenta uma densa reflexão acerca dos impactos da utilização de plataformas digitais. Enquanto professor de História e Geografia de Portugal, devo dizer que tenho integrado, progressivamente, ambientes virtuais na minha prática letiva sendo que os resultados que fui obtendo, se aproximam dos que são identificados no estudo. Como modelo dessa integração vou dar um exemplo que se passou com uma turma de 5 ano, quando abordava o tema “a formação de Portugal”. a plataforma Moodle para lançar uma atividade, onde os alunos se organizaram em pequenos grupos e tiveram de criar uma linha cronológica sobre os principais momentos da fundação do reino de Portugal, recorrendo à ferramenta TimeToast. Posto isto, cada grupo ...