“A imagem como janela: quando a arte ensina mais do que o manual” (Como um olhar renovado sobre as obras de arte transformou a minha aula de HGP)

A leitura dos excertos do Guia de História da Arte acabou por ser, para mim, um convite para repensar o modo como apresento as imagens aos meus alunos de HGP, onde muitas vezes a arte serve como janela para o passado. Este documento levou-me a refletir acerca dos “como” e “porque” de utilizarmos as obras de arte.

Desconhecia a distinção entre os quatro métodos principais: o formalista, o sociológico, o iconográfico e o estruturalista. Perceber esta distinção fez-me concluir que, quase sempre, a minha abordagem foi superficial. Em vez de permitir que os alunos encarem a arte como um documento histórico, como um portal para as sociedades que a produziram acabava por utilizá-la apenas como ilustração de conteúdos. Senti-me desconfortável por não ter sabido dar mais aos alunos.

Experimentei/experimentamos a mudança numa aula acerca do Renascimento. Antigamente apresentava uma pintura muito conhecida de Rafael para ilustrar “a nova visão do homem e do mundo”. Porém, desta vez, fiz diferente ao pedir aos alunos que investigassem o que a imagem da Madona com o Menino poderia significar em diferentes épocas. As respostas foram surpreendentemente diferentes. A aula que anteriormente resultava expositiva, transformou-se num laboratório de interpretação histórica.

Pela primeira vez os alunos estavam a pensar historicamente e a questionar imagens com espírito crítico, fundamental na história. Muito mais do que conhecer estilos e nomes de artistas, estavam agora a mergulhar no contexto social e cultural de uma época, comparando-o até. Uma frase que retive foi dita por uma aluna “Nunca pensei que uma pintura pudesse dizer tanta coisa sobre o mundo”.

Posso afirmar que com texto de Argan e Fagiolo, aprendi que a imagem é muito mais do que forma, ela é também símbolo, sinal, memória, ideologia. O meu papel é agora decifrá-la em conjunto com os alunos em vez de lhes dar respostas prontas. Doravante, a arte, não será nas minhas aulas apenas pano de fundo mas sim protagonista e ponto de partida para a reflexão e análise de uma época.
 

Leitura recomendada:

Argan, G. C., & Fagiolo, M. (1994). Guia de história da arte (2.ª ed.). Editorial Estampa.

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