Do Ecrã à Aprendizagem: Como o Vídeo Ganha Vida nas Aulas de Português e História e Geografia de Portugal

No decurso da minha prática docente, tenho procurado recorrer a metodologias diferentes do ensino expositivo tradicional, com o objetivo de aproximar do abjeto do nosso estudo. Neste contexto, o artigo A Pedagogical Model to Deconstruct Videos in Virtual Learning Environments, de Moreira e Nejmeddine, faz-me refletir profundamente acerca da forma como uso o vídeo em contexto educativo.

Não é segredo que a utilização do vídeo pode ter um potencial enorme para a educação, mas exige planeamento e conhecimento didático, o que reconheço não ter sido sempre presente na minha prática docente. Assumo que já recorri ao vídeo como estratégia de recurso em ocasiões em que o tempo faltava ou queria apenas chamar o interesse da turma para um tema em particular. Depois da leitura do artigo, a minha abordagem mudou.

Nas últimas aulas do 6º ano e na sequência do estudo dos Descobrimentos Portugueses decidi aplicar alguns princípios do MPDV. Selecionei um excerto do documentário “A Grande Aventura dos Descobrimentos”, mas (e aqui é que começa a diferença) antes da visualização, distribui aos alunos grelhas de observação com questões orientadoras e palavras-chave. O artigo chama pré-atividade a esta fase de preparação inicial.

Já durante a visualização, fui fazendo pausas para levantar questões pertinentes e promover pequenas discussões. Exemplificando, após a cena sobre a travessia do Cabo das Tormentas, pedi que que imaginassem como seria enfrentar aqueles mares desconhecidos. Notei de imediato que a interação foi muito maior do que quando apenas passava o vídeo, ao fim de alguns minutos começava a dispersão.

Na fase a que o artigo chama pós-atividade, propus um desafio de escrita criativa em que sugeri aos alunos que imaginasse que seriam um jovem marinheiro a bordo de uma nau da armada de Vasco da Gama. Fiquei surpreso como os alunos utilizaram vocabulário aprendido no vídeo e demonstraram compreender. O vídeo acabou por servir de ponto de partida para a produção e não como fim em si mesmo.

Concluo que o vídeo, usado com critério e lógica, pode ser um verdadeiro aliado na sala de aula. Muito mais do que mostrar imagens, trata-se de ler o vídeo, desconstruí-lo, interpretá-lo e conectá-lo às vivencias dos alunos. O MPDV oferece um caminho estruturado para isso.

Tenciono, futuramente, relatar outras experiências e disponibilizar recursos como grelhas de observação e propostas de vídeo alinhadas com este modelo. Penso estar desta forma a contribuir para uma mudança mais profunda e sustentável na forma como olhamos para a utilização do audiovisual em contexto escolar.

Leitura recomendada:

Moreira, J. A., & Nejmeddine, F. (2015). A pedagogical model to deconstruct videos in virtual learning environments. American Journal of Educational Research, 3(7), 881–885. https://doi.org/10.12691/education-3-7-11

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