Aprender História com Autonomia: Quando o Virtual Transforma a Sala de Aula
Apresento hoje uma reflexão acerca do estudo “O B-learning e a perceção de competências de aprendizagem em ambientes virtuais no ensino da História” (Costa & Moreira, 2013). Este artigo, que também analisei no âmbito do seminário do Curso de Profissionalização em Serviço, apresenta uma densa reflexão acerca dos impactos da utilização de plataformas digitais. Enquanto professor de História e Geografia de Portugal, devo dizer que tenho integrado, progressivamente, ambientes virtuais na minha prática letiva sendo que os resultados que fui obtendo, se aproximam dos que são identificados no estudo.
Como modelo dessa integração vou
dar um exemplo que se passou com uma turma de 5 ano, quando abordava o tema “a
formação de Portugal”. a plataforma Moodle para lançar uma atividade, onde os
alunos se organizaram em pequenos grupos e tiveram de criar uma linha
cronológica sobre os principais momentos da fundação do reino de Portugal,
recorrendo à ferramenta TimeToast. Posto isto, cada grupo partilhou o trabalho
num fórum, onde os colegas puderam tecer comentários e apresentar sugestões de
melhoria. Creio que, com esta dinâmica, fui capaz de fomentar a iniciativa e
autonomia dos alunos mas sobretudo a sua capacidade de partilha e aprendizagem
com os pares, o que vai de acordo com modelo de e-moderating proposto por
Salmon (2000).
Com o objetivo de estimular a
iniciativa dos alunos na aprendizagem, desenvolvi com os alunos do 6º ano um
projeto acerca da Revolução Liberal e a Constituição de 1822. Neste caso, os
alunos foram incentivados a simular uma entrevista ao rei D. Pedro IV, gravando
pequenos vídeos com recurso aos seus smartphones. Disponibilizei aos alunos
vídeos com o enquadramento histórico e documentos de apoio na plataforma Google
Classroom. Com base nessa documentação os alunos escolheram os temas que viriam
a abordar e fizeram ainda a autoavaliação sobre o seu desempenho. Creio que,
com esta atividade, foi reforçado o sentido de responsabilidade e o gosto pela
investigação, tão importante na disciplina de história. Devo dizer que, de
acordo com o estudo, os alunos com maior autonomia digital cedo se destacaram
com uma participação bem mais ativa e segura. Porém, com o passar do tempo, os
outros alunos foram crescendo nas competências de gestão do tempo e organização
dos seus trabalhos. Na altura não conhecia o estudo em análise, mas, conto
realizar um pequeno guia digital de “boas práticas na sala de aula virtual” em
que explicarei como interagir nos fóruns, colaborar com colegas e submeter
trabalhos, de acordo com o protótipo apresentado no artigo (fig. 2 e 3).
Nas aulas presenciais, o uso do
AVA permite que o trabalho da sala seja tenha maior significado. Por exemplo, ao ensinar o tema Portugal no
século XVI – o império ultramarino, disponibilizei mapas interativos que construi
bem como documentos históricos digitalizados na plataforma que os alunos devem
consultar antes da aula como preparação para o debate acerca dos impactos da
expansão marítima. Nas ocasiões em que consegui que os alunos efetivamente
consultassem os documentos previamente, a aula foi muito mais rica porque
chegaram com duvidas e curiosidades.
Como advogam os autores do artigo
– Costa & Moreira (2013), o sucesso da integração dos ambientes virtuais
vai depender muito da criação de contextos interativos significativos e das
condições pedagógicas. Da minha experiência posso concluir que, com a
intencionalidade e o acompanhamento adequado, é possível suscitar nos alunos
competências de autoaprendizagem, iniciativa e autonomia.
Leitura recomendada:
Costa, M. E., & Moreira, J.
A. (2013). O b-learning e a perceção de competências de aprendizagem em
ambientes virtuais no ensino da História. Revista Científica Online Tecnologia
– Gestão – Humanismo, 2(1), 42–55.

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