História em Rede: Como a Web 2.0 pode transformar as aulas de História e Geografia de Portugal
O artigo de que hoje sugiro a leitura revelou-se importante na minha prática letiva na medida em que destaca os desafios e as potencialidades associados à integração das ferramentas da Web 2.0 num modelo de educação aberto e colaborativo. Como docente, inspiro a minha prática letiva neste artigo na medida em que procuro caminhar no desenvolvimento de competências digitais e na valorização das aprendizagens em rede.
Em linha com o que defendem os
autores, também eu julgo que os professores devem deixar de ser menos
transmissores de conhecimento para se transformarem em mediadores e
facilitadores da construção da sapiência. Na disciplina de História e Geografia
de Portugal, tento efetivar a transição, com recurso a ferramentas digitais que
envolvam os alunos ativamente no processo a que gosto de chamar
ensino-aprendizagem.
Numa turma do 5º ano quando
abordamos o tema “A formação do território nacional” já utilizei o Padlet
enquanto mural interativo que permitiu aos alunos partilhar o que foram
descobrindo acerca dos diferentes reinos cristão da Península Ibérica. Cada
grupo de alunos investigou um reino (Leão, Castela, Navarra, Aragão) e
partilhava no mural as descobertas que iam fazendo. Posteriormente utilizamos o
próprio mural como mote para uma atividade de comparação entre territórios. Incentivou-se
desta forma o espírito critico, a autonomia e a criatividade.
Usei também o Voki, desta
vez numa atividade acerca do Século XV e os Descobrimentos Portugueses. Com
esta ferramenta criei uma atividade em que os alunos, de forma individual,
deviam criar avatares que representassem personagens históricas. Através de
texto e gravação de voz cada uma das personagens explicava as motivações e
desafios que a impeliram aos Descobrimentos. A turma ouviu todos os Vokis
e identificou os factos históricos apresentados. Desenvolveram-se desta forma
competências de escuta ativa e analise critica.
Em linha com o artigo, numa ocasião
envolvendo os alunos do 6º ano foi trabalhada a partilha de conteúdos com
recurso ao Google Docs. O tema era o Liberalismo em Portugal e os alunos
trabalharam em pares na construção de uma linha do tempo dos acontecimentos
entre 1820 e 1834. O documento, partilhado entre os pares, mas também comigo, o
que permitiu ir fazendo sugestões em tempo real. Também os autores do artigo
sublinham a importância desta colaboração síncrona e assíncrona no processo de co-aprendizagem.
Para além disso aproxima a escola das formas de comunicação naturais dos
alunos.
No âmbito do tema “As Invasões
Francesas” pude ainda explorar a ferramenta Tricider quando, em
utilização deste recurso, coloquei uma questão-aula. A questão foi: “O que poderia
Portugal ter feito para evitar os impactos negativos das invasões?” A turma
avançou com hipóteses de resposta, argumentou e escolheu as melhores ideias. Desta
forma julgo ter ajudado os alunos a pensar historicamente, com inspiração no Problem
Based Learning.
É claro que para começar a
utilizar estas ferramentas foi necessário eu próprio procurar informação,
estudar, encontrar formação e, por fim, adquirir competências que me
permitissem dominá-las com destreza. Entendi, porém, que o simples uso de
ferramentas digitais não é garante de inovação. Para que esta aconteça é preciso
que o uso das ferramentas esteja integrado num modelo didático coerente, dotado
de objetivos bem definidos e focados na aprendizagem ativa.
Tenciono, no final do ano letivo,
pedir aos alunos que respondam a um pequeno questionário anónimo, provavelmente
realizado no Google Forms, onde deverão avaliar o uso das ferramentas em
questão, no âmbito da História e Geografia de Portugal. Acredito que, sobretudo
naquilo que concerne aos conteúdos relacionados com a história, os alunos vão
mostrar-se agradados uma vez que, pelas atividades que realizaram no Voki
acabaram por “entrar” na própria historia ao simular que eram personagens desta.
Da leitura do artigo de Moreira e
Monteiro (2015) e, com base na minha própria pratica letiva, sublinho a
convicção de que o ensino da história, mesmo nos primeiros ciclos, deve ser
grandemente enriquecido com ferramentas da chamada Web 2.0. Estas
ferramentas, no entanto, não podem ser vistas como meros acessórios, para que
sejam efetivamente eficazes devem ser bem integradas de forma a promoverem aprendizagens
mais significativas, colaborativas, eficazes e alinhadas com aquilo que se
espera das competências exigidas no século XXI.
Leitura recomendada:
Moreira, J. A., &
Monteiro, A. M. R. (2015). Formação e ferramentas colaborativas para a
docência na web social. Revista Diálogo Educacional, 15(45),
379–397. Curitiba: PUCPR. https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.15.045.DS01

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