A Escola que Somos: Entre a Planificação e a Transformação


Este texto levou-me a refletir acerca do papel do professor e da escola no desenvolvimento curricular. O autor considera que a escola deve ser vista como o cenário onde se planifica, se organiza e se transforma a pedagogia. A programação educativa, não pode ser, segundo o autor, uma imposição externa mas sim nascer do coletivo da escola, da equipa pedagógica e da realidade vivenciada no terreno.

O autor critica o centralismo do sistema educativo. O texto desafia-nos ainda a refletir que ainda existe espaço para a ação criativa e transformadora das escolas. Desta forma, dei por mim a repensar o meu próprio papel enquanto professor, não como um executor de ordens, mas também como agente ativo da mudança.

Destaco a comparação que o autor faz entre a escola enquanto unidade funcional e organizativa e o professor enquanto unidade operativa. Subscrevo a ideia veiculada pelo autor de que a escola deve deixar de ser uma entidade burocrática passiva e assuma um modelo educativo baseado em si, com identidade e visão próprias.

Cheguei claramente às seguintes conclusões: não é possível continuarmos a depender em exclusivo da vontade individual de professores “franco-atiradores” que, apesar da motivação que possam ter, acabam por se sentir exaustos, esgotados e desiludidos quanto esbarram num sistema rígido. A mudança deve ser coletiva, sustentada e articulada com a própria comunidade.

Pela leitura do texto dei comigo a perguntar até que ponto a minha escola dispões de uma um projeto educativo que se estenda para alem do cumprimento do próprio programa? Teremos mesmo voz própria? E eu? O que tenho para me incluir nesse eventual esforço colaborativo no sentido de construir um programa com sentido?

Realizei ainda que a programação não pode ser uma meta receita que se cumpre, mas sim um processo vivo, que se ajusta e reinventa. Tornei-me, pois, mais consciente da importância de trabalhar em equipa, partilhar práticas entre colegas e de integrar a comunidade no processo educativo.

Esta leitura reforçou, de facto, em mim a convicção de que o verdadeiro ensino surge da escuta e da participação. A escola deve ser um espaço de construção conjunta e o professor é, para alem e um transmissor de conteúdos, mas sim  um arquiteto de possibilidades.

Recordei, por exemplo uma atividade que desenvolvi recentemente com a turma do 6ºB, em que trabalhávamos a História Local através de uma visita encenada ao centro histórico da cidade de Ponte de Sor. Planeamos em conjunto todos os procedimentos, os alunos escolheram personagens locais para representar, fizemos pesquisas e até gravámos pequenos vídeos. Noutra ocasião, numa aula do 5ºA de português, levei excertos de A Lua de Joana, para trabalharmos a leitura expressiva e a escrita de diários. Os alunos reagiram de forma tão positiva e entusiasmada que acabamos por criar um “diário coletivo” da turma. Na verdade a escrita do diário da turma não estava no plano inicial mas acabou por fazer todo o sentido, a planificação não foi neste caso rígida, mas sim flexível.

Leitura recomendada: 

Zabalza, M. A. (1998).
A escola como cenário de operações didáticas
. Porto: Porto Editora.



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